C'alma - calma, com alma

Um envelope diferente com meu nome escrito à mão acabara de passar por baixo da porta. Não reconheci a letra de imediato, até porque logo fui olhar o remetente. Vinha da Escola do Coração. Fiquei surpresa e feliz ao mesmo tempo, abri apressadamente para saber do que se tratava. Antes mesmo de retirar a carta de dentro do envelope, percebi que estava escrita à mão, como no envelope, no destinatário. Aquele azul bic no papel branco me trouxe uma onda de paz indizível. Como se um pedido de socorro, há muito gritado dentro de mim, tivesse sido atendido. E, então, me dei conta de que era uma carta do meu eu passado para o meu eu futuro.

Fiquei muito animada, adoro escrever cartas para mim e deixar no meio de algum livro ou pastas de papéis, para algum dia encontrar e reler. Também tenho o costume de me enviar lembretes eletrônicos programados para dali muito tempo, mas nunca havia me enviado uma carta por correio. É claro que isso aconteceu com ajuda da Escola do Coração, em virtude de uma vivência que fiz com eles.

Comecei a ler e senti a energia daquela carta, de quando foi escrita, há mais de um ano e cinco meses. Escrita às lágrimas, em meio a tantos cacos meus espalhados pelo chão. Naquele dia, novos portais como cascas de cebola se abriam para eu entrar, mas era tanta luz que ainda não conseguia enxergar o que estava lá dentro. Então essa carta me mostrou meu medo, minha dor, e também mostrou minha esperança, a força e o amor que ancoravam ali, no chão frio. Dei sábios conselhos a mim mesma, fui doce e delicada tanto quanto confiante.

Recebi amor de mim. Saíam ondas luminescentes douradas e cor-de-rosa de cada palavra que eu lia em voz alta. O som reverberava envolvendo meu coração. Chorei muito por lembrar de toda escuridão. Chorei por ainda carregar ela em uma bolsinha em algum lugar por aqui. Chorei por tanto amor que me dei. E ri. E chorei e ri. Tudo ao mesmo tempo, alto, num choro-sorriso largo.

Eu acabara de cuidar das minhas plantas, podei, limpei as folhas secas, refiz muitos vasos, revolvi a terra, replantei algumas queridas, descobri bulbos e raízes vivos em terra seca, uma família de formigas... Me sentia quase renovada, até chegar minha carta para completar o cenário me pedindo c'alma.

Renasci. Renovei. Agradeci.
Jay guruji!


Comentários

Rô Rezende disse…
Seu blog estava por aqui no meu leito de feeds e nem consigo me lembrar quando coloquei rsrs... mas esse artigo me deu uma sensação tão que só tenho gratidão por ter te incluido na minha lista.
Coincidência (se eu acreditasse nelas) que estou para escrever uma carta para ser entregue a mim daqui a alguns anos... vou me lembrar de por muito amor nela!

Beijos
Oi Rô, poxa, que legal!
Vi só agora seu comentário, perdão!
Vou responder num post do seu blog, de qualquer forma. :)
Beijos e bons ventos!

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