quarta-feira, 9 de setembro de 2015

C'alma - calma, com alma

Um envelope diferente com meu nome escrito à mão acabara de passar por baixo da porta. Não reconheci a letra de imediato, até porque logo fui olhar o remetente. Vinha da Escola do Coração. Fiquei surpresa e feliz ao mesmo tempo, abri apressadamente para saber do que se tratava. Antes mesmo de retirar a carta de dentro do envelope, percebi que estava escrita à mão, como no envelope, no destinatário. Aquele azul bic no papel branco me trouxe uma onda de paz indizível. Como se um pedido de socorro, há muito gritado dentro de mim, tivesse sido atendido. E, então, me dei conta de que era uma carta do meu eu passado para o meu eu futuro.

Fiquei muito animada, adoro escrever cartas para mim e deixar no meio de algum livro ou pastas de papéis, para algum dia encontrar e reler. Também tenho o costume de me enviar lembretes eletrônicos programados para dali muito tempo, mas nunca havia me enviado uma carta por correio. É claro que isso aconteceu com ajuda da Escola do Coração, em virtude de uma vivência que fiz com eles.

Comecei a ler e senti a energia daquela carta, de quando foi escrita, há mais de um ano e cinco meses. Escrita às lágrimas, em meio a tantos cacos meus espalhados pelo chão. Naquele dia, novos portais como cascas de cebola se abriam para eu entrar, mas era tanta luz que ainda não conseguia enxergar o que estava lá dentro. Então essa carta me mostrou meu medo, minha dor, e também mostrou minha esperança, a força e o amor que ancoravam ali, no chão frio. Dei sábios conselhos a mim mesma, fui doce e delicada tanto quanto confiante.

Recebi amor de mim. Saíam ondas luminescentes douradas e cor-de-rosa de cada palavra que eu lia em voz alta. O som reverberava envolvendo meu coração. Chorei muito por lembrar de toda escuridão. Chorei por ainda carregar ela em uma bolsinha em algum lugar por aqui. Chorei por tanto amor que me dei. E ri. E chorei e ri. Tudo ao mesmo tempo, alto, num choro-sorriso largo.

Eu acabara de cuidar das minhas plantas, podei, limpei as folhas secas, refiz muitos vasos, revolvi a terra, replantei algumas queridas, descobri bulbos e raízes vivos em terra seca, uma família de formigas... Me sentia quase renovada, até chegar minha carta para completar o cenário me pedindo c'alma.

Renasci. Renovei. Agradeci.
Jay guruji!


terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Sobre paz de espírito, autoconhecimento e aplicativo de limpeza para celular

Passei muitos dias matutando sobre o que está faltando para me sentir plena, em paz. Ando com a mente acelerada - o que faz o corpo ficar lento, exausto, fora do ritmo. Me cobro meditar, mas tem sido um tempo de muita dificuldade em apenas sentar e ficar em silêncio, por mais ridículo que possa parecer. Afinal, é "só parar".

Eis que dia desses baixei um aplicativo para o meu celular, com função de antivírus, limpador de memória, que deixa o aparelho mais rápido, protege contra furtos e zela pela privacidade. Pensei - "é isso! É tudo o que eu preciso!"

O celular tem gostado, todo prometido pelo app foi cumprido. Mas e eu, como posso otimizar minha vida, meu desempenho vital - digamos assim, limpar o lixo da memória, me proteger de alimentar energias ruins, maus hábitos? E como me proteger dos furtos - aqueles momentos em que esqueço de mim, uso mal meu tempo, minha energia -, mais: como cuidar de minha privacidade, isto é, reservar meus turnos de solitude para digerir, acalmar, reenergizar meu ser?

Na primeira resposta consta meditação. Porém, logo me inquieto e fico sonada. Algo que fora tão simples e prazeroso para mim tem sido um desafio. Pensei no grupo que frequentava, na capela que me deixou em paz em Buenos Aires, na aula de yoga que me centrava, todavia, nada mais parecia fazer sentido. Então, que era? Onde poderia encontrar aquele espaço sagrado que outrora me acolheu e fez sentir que, mais que refúgio, era um tempo de maturação, aceitação e gratidão? Como fazer para marcar um encontro comigo, me olhar por dentro, rir de mim, me dar amor?

Muitas ruminações após, concluí que esse espaço é interno, que o sagrado construo eu, se assim quiser. Que já vim com antivírus, otimizador, limpador, tudo de fábrica! Entretanto, apesar de já ter acessado esses componentes, 'inda existe uma inabilidade para lidar com tecnologia tão refinada. Dito isso, só me resta testá-lo, ir apertando os botões para ver o que acontece até aprender a manejá-lo, até se tornar um hábito, um vício, cuidar de mim, me amar e me abrir as portas e janelas para SER.

sábado, 8 de novembro de 2014

Transição

Esse blog, que sempre foi uma válvula de escape em forma de prosa, uma tentativa de entender a vida, agora deixa de se chamar "Impressos e Impressões", deixa de ter o endereço vidde-bula.blogspot.com, para se chamar Ajna - O Espaço Vazio.

O novo nome reflete uma nova fase na vida da autora, que não quer mais simplesmente registrar suas impressões da vida como se ela tivesse um manual a ser seguido, mas sim guardar os preciosos insights de sua comunicação consigo mesma. Ajna é o chackra conhecido como terceiro olho, relacionado à intuição. Ele é um agente para conquistar os espaços vazios, que são as brechas entre um pensamento e outro. Esses espaços vazios permitem ao praticante de meditação se aproximar mais de seu verdadeiro eu, de sua real essência.

Sobre Meditar

Na areia movediça, quanto mais você se debate, mais você afunda. Ao passo que, se parar e observar ao redor, pode encontrar uma forma de sair, um cipó, um lugar onde se apoiar...

Também podemos comparar a dificuldade de meditar à água suja e turbulenta. Os pensamentos, crenças e tal são a sujeira na água e nossa resistência em abrir mão deles é a turbulência, é o nosso debater na água. Enquanto nos debatemos, a água se mantém agitada e suja. Quando paramos de nos debater, a água acalma e a sujeira pode começar a baixar e ir para o fundo. Com isso, a água se torna mais limpa e podemos nos enxergar verdadeiramente.

Para se enxergar é preciso apenas meditar. Um mantra ajuda a trazer libertação, entrega e tal. Acho muito que o mantra serve para criar um transe, dessa maneira, com a repetição excessiva não há lugar para os pensamentos e crenças, só para as vibrações do mantra. Isso vai gerando calma e depois, quando ficamos em silêncio, podemos começar a abrir espaço para o vazio. Desse vazio surgirá a nossa verdade, poderemos começar a responder à pergunta: Quem sou eu? Quem sou eu por trás de todas essas crenças, máscaras e pensamentos? Quem sou eu por baixo dessas muitas camadas?

Essas camadas são ancestrais. São mais antigas do que nossos poucos anos de vida. Essa maleta cheia de crenças e tal que nossos pais nos passaram, foi dada a eles por seus pais, que por sua vez receberam de seus pais e assim por diante. Então, quase toda nossa visão de mundo, a maioria das coisas que aprendemos, na verdade, datam de muitos e muitos anos. É transmitido culturalmente e por isso é ancestral. Por isso tem raízes enormes, maiores do que as nossas próprias.

E porque focar no terceiro olho? Somos dotados de visão, temos dois olhos e esse é considerado por muitos um dos principais sentidos. Tanto que muitas vezes precisamos "ver para crer". Não é ouvir, nem cheirar, nem pegar ou provar... é ver! Estamos bastante acostumados com a visão, tudo à nossa volta, toda percepção, é muito baseada no visual. E esse é um movimento para fora, olhamos para fora, nos preocupamos com o que está no externo, nossos dois olhos nos mostram o externo. Todo nosso ser é moldado pelo externo, com referências que vamos "vendo" ao longo da vida, mas também de nossa percepção mais sensível, de nossa intuição. E é aí que entra a meditação, como ferramenta para treinarmos o olhar para dentro.

Quase nunca olhamos para dentro, mesmo porque nossos olhos são para o externo, então parece difícil fazer esse movimento. O olhar para dentro é uma metáfora para esse movimento de ser conhecer. Focar no terceiro olho é uma metáfora para treinar essa "visão" interna. Quando conseguirmos parar de se debater com o externo, a água acalmar dentro da gente e toda a sujeira (pensamentos, crenças, defesas) baixar, teremos clareza dentro dessa água, poderemos nos conhecer e reconhecer. E então o modo de viver será mais "intuitivo", no sentido de ser mais baseado nessa visão interna do que na externa. Essa intuição, nada mais é do que uma libertação das lentes que nos colocaram. É tirar os óculos (crenças, visão de mundo aprendida) e olhar para a vida com nossos próprios olhos (visão interna), a partir de nossas próprias e legítimas experiências.

Mas ainda assim é desafiador meditar, porque ter entendido esse processo não traz a verdadeira compreensão. Essa, só será realmente assimilada ao longo do treinamento. Só poderemos experienciar e sentir verdadeiramente tudo isso que a mente entendeu das palavras acima conforme sentarmos para meditar, ao longo do tempo. E só esse sentar já será um verdadeiro desafio. Há que se ter coragem e persistência para remover cada um desses véus que nos turvam a vista e abrir passagem para nosso verdadeiro eu.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013


É isso!
Com os braços abertos como o Cristo. Atitude de quem não tem medo e que está pronto para amar.

sábado, 26 de maio de 2012


Não devemos lamentar o que consumado está, a quem destinado está. A melodia corre sutil como gotas de chuva escorrendo do telhado enquanto a dor voraz consome minhas vísceras. O que aconteceu? Tudo mudou. Não sou a mesma e já não sei quem sou...

Tudo em que acreditava pisoteei para sobreviver. E agora devo recolher meus próprios cacos da lama e descobrir o que é viver entre tantas dores e predições e tantas graças que não sei se minh'alma aguenta.

Sem destino. Pré-destinada. Isoladamente ocupada em viver e fazer viver. É hora de aceitar.

These are the seasons of emotion
And like the winds they rise and fall
This is the wonder of devotion
I see the torch we all must hold
This is the mystery of the quotient
Upon us all, a little rain must fall


quinta-feira, 10 de maio de 2012


Não é problema. É solução. Simples, como um caqui que tem sua pele maculada pela geada durante seu crescimento e ainda assim arrebenta ela e permanece doce.

Não sou vítima de sofrimento, sou fruta madura e não caibo mais nessa pele. Hora de adoçar outros lugares...